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Instituto volta sua ação para pacientes com baixa visão
  Jornal Oftalmológico Jota Zero | nº 83 - 2002

Calcula-se que 3 em cada mil crianças tenham problemas de baixa visão provocados por infecções congênitas e prematuridade. Estes problemas não são detectados com rapidez por falta de acesso aos cuidados básicos de saúde e falta de informação das famílias. O Instituto VIDI para a Visão e o Desenvolvimento realiza uma série de ações para reverter esta realidade

O Jardim Santo Eduardo, na cidade de Embu (periferia de São Paulo) é bastante semelhante a tantos outros bairros pobres das cidades brasileiras que de jardim só tem o nome: condições difíceis de vida, urbanização precária, serviços deficientes e demandas sociais de toda ordem aguardando atendimento. Porém, este jardim tem uma diferença dos outros. Lá, o Instituto VIDI para a Visão e o Desenvolvimento desenvolve um trabalho junto com a prefeitura local abrangendo crianças com baixa visão, suas famílias e a própria comunidade com o objetivo de reintegrá-las a escola e a vida normal utilizando recursos acessíveis, ajudas de instituições nacionais e internacionais e uma grande dose de experiência e de boa vontade. Os resultados já permitiram que cerca de 50 crianças fossem atendidas e tratadas em um ano de trabalho.

O VIDI é uma organização não-governamental sem fins lucrativos criada em 1999 que tem como uma de suas coordenadoras a oftalmologista Silvia Veitzman, professora da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo que coordena o Departamento de Visão Subnormal daquela instituição.

"Na verdade, o VIDI é a extensão do trabalho que realizávamos na Santa Casa, com a diferença que graças a flexibilidade de uma ONG é possível ampliar nossa atuação para atingir outros campos, como a família, a comunidade, a elaboração de normatizações e referências, além da possibilidade de estabelecer parcerias que multipliquem os locais de ação", declara Silvia Veitzman.

Com pouco mais de dois anos de existência, o VIDI estabeleceu várias parcerias e está realizando uma série de ações com o objetivo de popularizar o atendimento médico e social aos portadores de baixa visão para integrá-los à sociedade.

De acordo com Silvia Veitzman, a entidade desenvolve projetos em três níveis de complexidade. O primeiro deles, materizalizado no Jardim Santo Eduardo, compreende a instalação e manutenção de um núcleo de atendimento no local para detectar as crianças com baixa visão, prestar assistência oftalmológica e fornecer os recursos ópticos necessários para a rápida integração na vida social e escolar, deixando-as aptas visualmente para que possam aprender a ler.

Assistência às crianças portadoras de baixa visão

A escolha do Jardim Santo Eduardo levou em consideração a atuação, naquele bairro, de um programa de saúde comunitária, desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo, coordenado pelo pediatra Renato Ventura e voltado para a saúde matemo-infantil e pela professora Maria Cecília Lapa, coordenadora do Programa de Saúde Ocular.

"Localizamos as crianças que estavam precisando de nossos auxílios, muitas delas a partir do programa de saúde matemo-infantil pré-existente e fizemos um trabalho bem básico, tentando resolver o problema de uma maneira rápida, tendo como objetivo imediato possibilitar a essas crianças a freqüência à escola com recursos ópticos simples e eficientes. Além das crianças não terem que se deslocar de seu bairro, ainda temos condições de detectar rapidamente os problemas existentes. Envolvemos as famílias e a comunidade num esforço de conscientização e multiplicação de esforços e estas crianças, que nunca haviam sido tratadas embora estejam a menos de 40 quilômetros da maior cidade do País, agora podem receber educação em escolas convencionais", afirma a oftalmologista.

Os próximos passos deste projeto têm como objetivo a capacitação de profissionais e o estabelecimento de rotinas que permitam que a prefeitura e a comunidade possam continuá-lo sem a participação do VIDI, que ficaria com a função de obter os recursos ópticos necessários para os portadores de baixa visão. A entidade também está negociando uma nova parceria com a Prefeitura de Embu para a instalação de novo núcleo em outro bairro carente da cidade em caráter permanente.

Assessoria

Além da atuação direta na prestação de assistência médico-social, o VIDI também presta assessoria a instituições que realizam este trabalho.

Foram assinados convênios neste sentido com o Instituto Fernandes Figueira, do Rio de Janeiro, coordenado pela oftalmologista Andréa Araújo Zin e com a Universidade Federal do Paraná com a oftalmologista Ana Tereza Ramos Moreira.

Silvia Veitzman conta que, no Rio de Janeiro, o VIDI contribuiu para a instalação de um núcleo de atendimento aos portadores de baixa visão com a obtenção de alguns equipamentos e a formação de profissionais. O projeto inicial, entretanto, tornou-se mais ambicioso e agora caminha para tornar-se um programa de prevenção da cegueira infantil por retinopatia da prematuridade para toda a cidade do Rio de Janeiro, no qual a participação do VIDI volta-se principalmente para o estabelecimento de contatos que permitam a captação dos recursos financeiros necessários, inclusive de fontes intemacionais como o CBM - Intemational e o WCF - World Childhood Foundation.

No Paraná, a parceria estabelecida entre a Universidade Federal e o VIDI permitirá o desenvolvimento de um programa de prevenção da cegueira e de educação da população voltado principalmente para a problemática da toxoplasmose, que naquele estado atingiu proporções inusitadas.

Ação institucional

O terceiro nível de complexidade da atuação do VIDI envolve ações de cunho científico e institucional. A entidade está organizando um banco de dados multicêntrico sobre deficiência visual infantil, iniciado em São Paulo e que hoje envolve também instituições do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, com a colaboração de Luciene Chaves Fernandes (UFMG), além do apoio da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal e da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.

Também ainda dentro desta ótica, o instituto está elaborando a "Cartilha da Cidadania", com todas as leis existentes no País referentes aos direitos das pessoas portadoras de deficiência visual, que deve ser lançada em julho de 2002.

Porém, o projeto que Silvia Veitzman considera a “menina dos olhos do VIDI" chama-se "Jovens Voluntários", criado no final de 2001.

O projeto consistiu na localização dos primeiros pacientes da Clínica de Visão Subnormal da Santa Casa de São Paulo, que atualmente estão com aproximadamente 18 anos de idade, em média. Foram selecionados cinco jovens que estão trabalhando na área de pesquisa, apoio, banco de dados, parte administrativa do VIDI e participando de cursos de capacitação na área contábil e de educação artística. As atividades artísticas são desenvolvidas em parceria com a Associação Rodrigo Mendes.

"Nunca pensei que um trabalho deste tipo pudesse ser tão frutífero e tão gratificante. Durante muito tempo procurei ensinar de todas as formas como podemos melhorar a visão de pessoas que recorriam a hospitais ou serviços especializados. Agora, com o VIDI, percebi que o médico pode ir além das paredes de seu consultório ou do hospital e atuar na comunidade, onde o trabalho simples atinge uma dimensão inimaginável", conclue Sílvia Veitzman.

Maiores informações:
Instituto VIDI para a Visão e o Desenvolvimento
Alameda Santos, 1343 - cj. 905 – CEP 01419-001 – São Paulo-SP
Tel./fax 3287.9217
e-mail: ividi@ig.com.br

Empresas e entidades que colaboram com o VIDI:

Citibank – Fundação Citicorp
CBM Intemational
Fundação Assist
Câmara de Comércio Sueco-Brasileira
Galloro & Associados
Veirano & Advogados Associados
Ericsson Intemational
Universidade Federal de São Paulo – Programa PIDA
ACS Assessoria Contábil / WK Radar
Giardini Optical

Diretoria do Instituto VIDI – Gestão 2001-2003

Johan Fager – diretor presidente
Sven Olsson – diretor vice-presidente
Pontus Broddner – contato intemacional
Myra Johansson – diretora de marketing
Ângela Santos – diretora de comunicação
Gladys Schechter Monteiro – diretora de voluntários
Renato Monteiro – diretor de voluntários
Rafael Salomão Miranda Ribeiro – diretor jurídico
Ana Maria Galloro – diretora financeira
Edson Sadao – diretor executivo

 

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  R. Clemente Pereira, 286 - São Paulo - SP - Fone: 55 11 2273.9333 Ramal 207 - e-mail: sveitzman@vidi.org.br