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Vidi na Comunidade

Silvia Veitzman1,2; Maria Cecília Lapa1,3; Solange Rios Salomão1,3; Renato Nabas Ventura3
1Instituto VIDI para visão e desenvolvimento
2Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
3 Universidade Federal de São Paulo

INTRODUÇÃO

Dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde revelam que de cada 1000 crianças nascidas, três apresentam “baixa visão” (deficiência visual que persiste mesmo com o uso dos óculos). Deste total, cerca de 70% são considerados casos leves, que podem ser facilmente detectados e trabalhados de forma simples, sem necessidade de muitos recursos ou de um serviço de atendimento especializado, principalmente se os familiares se envolverem na sua reabilitação.

A falta de conhecimento sobre a deficiência visual e o seu potencial de reabilitação faz com que a comunidade e a própria família, excluam essas crianças das atividades normais, como freqüentar a escola ou brincar com outras crianças na rua, considerando-as incapazes e até mesmo tratando-as como se fossem cegas. Desta forma a deficiência visual, que algumas vezes é pequena, se agrava por falta de ações simples de reabilitação que podem ser promovidas pela própria família.

OBJETIVOS

Criar um programa comunitário de detecção, diagnóstico, e reabilitação de crianças com deficiência visual.
Preparar as famílias para assumirem a responsabilidade pela inclusão de seu filho na comunidade.
Multiplicar por todo país o modelo desenvolvido neste programa.

SUJEITOS E MÉTODO

O Embu das Artes, foi o município escolhido para o desenvolvimento do programa piloto por tratar-se de uma comunidade carente, próxima a São Paulo, apenas à 27Km da capital. Há alguns anos a Universidade Federal de São Paulo, desenvolve no local, o Programa de Integração Docente Assistencial, PIDA-Embu. Este programa e a prefeitura do município deram apoio técnico a este projeto.

Após contatos com a secretaria da Saúde local, iniciou-se o trabalho de divulgação do programa entre os professores, pediatras, agentes comunitários e demais profissionais da saúde.

Constituiu-se uma equipe de trabalho composta por: um coordenador junto a comunidade, um oftalmologista e três promotoras de saúde. O Instituto VIDI se responsabilizou pela instalação do núcleo, fornecendo equipamentos oftalmológicos, capacitação deste grupo e pela elaboração do material utilizado na execução do projeto.

No período de junho de 2000 a junho de 2001 foram recrutadas pelos diversos programas de saúde locais, 30 crianças (20 meninos e 10 meninas), na faixa etária de 5 meses a 14 anos (média de idade 67,26 ± 49,26m), com diagnóstico prévio de baixa visão (acuidade visual 0,3 ou menos no melhor olho e/ou resposta visual alterada).

As crianças recrutadas, foram encaminhadas para atendimento oftalmológico especializado. Em caso de confirmação diagnóstica, recursos ópticos foram prescritos, doados e alguns confeccionados pela comunidade. Treinamento apropriado para as crianças e/ou familiares foi realizado.

RESULTADOS

Das 30 crianças selecionadas, 19 receberam atendimento específico para baixa visão e 11 aguardam o atendimento.

Os resultados preliminares foram:

02 prescrições ópticas do erro refrativo
17 prescrições de recursos ópticos:
     07 para perto; 06 para longe; 04 para perto e longe
12 crianças em uso de auxílios ópticos:
     09 para perto; 02 para longe; 01 para perto e longe
09 crianças aguardando os auxílios:
     02 para perto; 07 para longe

COMENTÁRIOS

Podemos considerar que o período de um ano foi escasso para cumprir todas as tarefas propostas para organização e execução deste programa piloto na área de reabilitação visual, baseada na comunidade.

Os resultados parciais nos mostram que é perfeitamente possível , utilizando meios adequados, motivar a população e contar com sua participação, atingindo assim nossa meta principal que é melhorar a qualidade de vida das nossas crianças com deficiência visual, da família envolvida e da comunidade, que aprende a lidar com o problema com naturalidade, aceitando as diferenças.

Estamos dando continuidade ao trabalho, completando nossas metas iniciais e esperançosos quanto a possibilidade da sua incorporação ao programa de saúde do município.

O projeto demonstrou ser simples na execução, permitindo a nosso ver, sua duplicação, desde que haja condições para tanto.

 

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